quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Visualização dos dados CoVid

Hoje já dispomos de cerca de 17 meses de dados CoVid-19 e já aprendemos muito sobre em que medida nos podem ajudar a organizar a nossa vida.
Os dados são mais que os números que a comunicação social nos apresenta (quantos casos, quantos óbitos, quantas camas hospitalares ocupadas, etc.), permitem avaliar o resultado das medidas que vão sendo tomadas, e, mais que isso, permitem prever a evolução do nosso estado sanitário. 
Representações cronológicas dos dados de forma gráfica, como por exemplo esta,

Séries temporais e médias móveis de 7 dias

são bem mais poderosas que os números em si, permitem ver tendências de forma intuitiva e, neste caso, demonstram ainda de forma clara como os números diários de casos e de óbitos estão sujeitos a grandes variações entre dias consecutivos, e as médias móveis de sete dias são uma medida bem mais consistente da evolução da pandemia.
A média móvel de sete dias calcula-se usando em cada dia a média dos valores do dia e dos seis dias anteriores, e fica bastante insensível a certas regularidades semanais, pois sempre que se acrescenta um valor novo é retirado o valor do dia homólogo da semana anterior.
A pandemia evolui num sistema altamente complexo, de pessoas, de contágios, de atitudes, de medidas, cuja dinâmica se mede em dias, os dias que vão entre um eventual contágio e a sua contabilização pelas entidades responsáveis.
Este sistema tem "inércia", não responde de imediato a medidas de contenção, e, por isso mesmo, é difícil de conduzir, precisa de atenção constante e acção rápida.
Pessoalmente, tenho explorado uma representação destes dados como trajectórias num plano (casos, óbitos)

trajectórias (casos, óbitos)

que ficam com este aspecto surpreendente (não coloquei datas, para não sobrecarregar a figura).
Em primeiro lugar, destaca-se a irregularidade dos valores diários (a azul), em contraste com a solidez da trajectória dos valores médios, onde é possível distinguir as quatro vagas que já conhecemos, todas caracterizadas por uma trajectória no sentido directo, resultado do atraso do número de óbitos relativamente ao número de casos.
A primeira vaga, que agora nos parece quase inofensiva, está numa posição mais próxima da vertical, correspondendo a um número elevado de óbitos relativamente ao número de casos, possivelmente resultado do desconhecimento inicial do fenómeno.
A segunda vaga, que não se concluiu, está bastante menos inclinada, mas vemos agora que foi interrompida, e todos nos lembramos da ideia de salvar o Natal, por uma terceira vaga, mais brutal, a tal da variante inglesa, a que não soubemos responder com a necessária rapidez, originando centenas de óbitos diários, num cenário que se julgava quase impossível.
Hoje estamos na quarta vaga, com um número de óbitos relativamente reduzido, efeito certamente do sucesso das vacinas e da campanha de vacinação.
Na figura seguinte, representa-se no mesmo gráfico o número de camas hospitalares ocupadas em cada dia e uma estimativa das pessoas "protegidas" obtida somando ao número de pessoas inoculadas (uma ou duas doses) o número de pessoas infectadas há menos de seis meses.

Camas hospitalares ocupadas e pessoas "protegidas"

Parece claro o efeito positivo da vacinação, mas os dados não falam por si, é necessário olhar mais a fundo para os fenómenos, para o contágio, para os comportamentos.
Fica para outro dia.

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